terça-feira, 31 de agosto de 2010

Matilde,




onde estás? Notei, para baixo,
entre gravata e coração, acima,
certa melancolia intercostal:
era que de repente estavas ausente.

Fez-me falta a luz de tua energia
e olhei devorando a esperança,
olhei o vazio que é sem ti uma casa,
não ficam senão trágicas janelas.

De puro taciturno o teto escuta
cair antigas chuvas desfolhadas,
plumas, o que a noite aprisionou:

e assim te espero como casa só
e voltarás a ver-me e habitar-me.
De outro modo me doem as janelas.


(Pablo Neruda)

2 comentários:

Tahiná disse...

bonito poema. de quem é o desenho?

Carol disse...

desenho é do Matisse hehe

=*