segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Instalo-me sozinho, num café; alguns vêm me cumprimentar; sinto-me acolhido, requisitado, lisonjeado. Mas o outro está ausente; evoco-o em mim mesmo para que ele me retenha na beira desta complacência mundana que me espreita. Apelo para a sua “verdade” (para a verdade cuja a sensação ele me dá) contra a histeria de sedução para a qual me sinto resvalar. Torno a ausência do outro responsável por minha mundanidade: invoco sua proteção, sua volta: que o outro apareça, que me retire, como uma mãe que vem buscar o filho, do brilho mundano, da fatuidade social, que me devolva “a intimidade religiosa, a gravidade” do mundo amoroso.
(X.... me dizia que o amor o havia protegido da mundanidade: cabalas, ambições, promoções, manigâncias, alianças, secessões, papéis, poderes: o amor fizera dele um rebotalho social, com o que ele se regozijava.)

Roland Barthes

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