domingo, 23 de novembro de 2008

Bipolaridade

Essa minha imaginação fértil faz eu boicotar a mim mesma. A lógica dela obedece a lei dos sentimentos, das sensações do meu corpo.
Quanto mais angústia, quanto mais aperto no peito, mais nó na garganta... e mais angústia. E então eu volto ao útero, me encolho, me isolo.
É como se fosse uma bola de neve que vai aumentando e, no fim, eu chego à conclusão de que tudo tá errado, tá perdido.
Esse é um processo lento, como se fossem gotinhas que enchessem um grande poço que, com o tempo, transborda e nem se sabe mais de onde vieram aqulas gotas.
Acabo me afogando, mas aí me transformo em um peixe, me adaptando a esse ambiente denso da água. Nado ainda mais para o fundo e me instalo lá por algum tempo.
Então algo acontece: uma fresta de luz!
E essa minha imaginação fértil...
Me faz imaginar um show de luzes coloridas, um mundo paralelo. No qual eu posso muito mais e sou uma peça insubstituível. Eu me sinto grande, forte, bonita... e então subo para a superfície. Faço o bem, sorrio para os seres humanos que se tornam maravilhosos e infelizes (posso até sentir pena deles).
Volto a ser criança, não a que eu fui, mas a que eu queria ser:
a felicidade encarnada.

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